Sunday, October 18, 2009
viagens


Depois de bastante tempo a habitar estas paragens, o dawning dusk move-se para:

Posted at 10:45 pm by sete-sois
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Thursday, October 15, 2009
respiração líquida


Vamos brindar
com água a uma vida melhor
e só depois com
vinhos de diferentes regiões
e licores azuis e âmbar
às pulsações do desejo e
ao desafio do raciocínio lógico


Posted at 09:51 pm by sete-sois
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Sunday, May 17, 2009
pequenas profissões

    "Minne, por seu lado, conta-me que, nas turmas dos mais pequenos em que intervém, brincam a um jogo que delicia as crianças: o jogo da aldeia. É simples, consiste em conversarmos com os alunos, em descobrir os seus principais traços de carácter, aptidões, desejos, manias de uns e outros, em transformar a aula numa aldeia em que cada um ocupe o seu lugar, considerado indispensável pelos outros: a padeira, o carteiro, a professora, o mecânico, a merceeira, o médico, a farmacêutica, o agricultor, o canalizador, o músico, cada um no seu lugar, incluindo aqueles para quem Minne inventa ofícios imaginários, tão indispensáveis quanto a coleccionadora de sonhos ou o pintor de nuvens...
    –E que fazes do bandido? O 0,4%, o pequeno delinquente, que fazes dele?
    Minne sorri:
    – Polícia, claro."


Daniel Pennac, Mágoas da Escola

Posted at 06:32 pm by sete-sois
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Tuesday, November 11, 2008
chávena e chá

Aspirava ser mármore
perante a vida
mas muitas vezes era magma
e na sua essência
e vocação ardia
sabendo
que podia ser árvore
livro ave

queimando sem tocar
o frio do que não sabia –
lábios decidindo-se
perante a palavra.

Posted at 02:17 pm by sete-sois
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claridade

Estas árvores...
chamam-lhe aviões.

Há quem diga que é deus
que as chama assim.

Posted at 12:30 am by sete-sois
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Monday, November 10, 2008
cidade à parte

os gatos da cidade de lisboa
são raros de encontrar, discretos
milagres do langor quotidiano,
atentos na sua calma
à alheia agitação citadina.

Interessam-lhes as árvores
os pássaros e às vezes
olham os rostos das pessoas.

alguns deixam-se aproximar
gostam até de nós, de nós
que gostamos deles
e queríamos encontrá-los
mais vezes
pelos passeios e jardins
mas eles só se deixam
encontrar por acaso.

Posted at 11:52 pm by sete-sois
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Thursday, October 09, 2008
eterno retorno sem filosofia

quinto dia na taberna
já encho copos de vinho
como se distribuísse vontade de ajudar
no primeiro dia da criação

foi na taberna que reencontrei
à tarde alguma companhia
no meio das gomas chupa-chupas
e outros doces para os quais já nem olho

o meu tio mais velho que veio da holanda
dizia que deus dava juízo no princípio
em conchas e foi sobrando menos
e menos para o fim da fila talvez
alguns dos que lá estavam
estejam hoje nas tabernas à procura
parecendo de outro país

foi há tanto tempo e agora
quando regresso a taberna é uma pintura
lembrando a beleza solitária
da noite dentro de nós

nas longas tardes porém a noite
perde-se nas memórias do fundo
dos copos no açucar das prateleiras


Posted at 02:58 pm by sete-sois
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Monday, September 22, 2008
os céus da cidade

Os prédios da cidade
e o seu azul
despenham-se
do infinito pelas
esquinas verticais
do firmamento.

Os transeuntes travam
guerras citadinas
com as sombras de uma ideia
que os conduz aos limites
dos seus egos solitários.

A ideia de infinito,
quase sempre esquecida.

Construímos janelas para o céu
e vivemos às escuras.

Posted at 12:35 pm by sete-sois
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Monday, July 21, 2008
mãos nuas

Dei a mão pela tua vida 
ou outra coisa qualquer 
ou então dei-te o que de 
melhor podia fazer por ti
com o meu tempo e não querer 
- podia haver ainda um rastro de sangue 
exalando o medo de não perceber 
o múrmurio da tua resposta, de esquecer 
a invisibilidade da recompensa - 
Agora dou-te o mais pequeno  
pequeno pedaço de mim 
dou-me um pequeno pensamento de ti 
como se estivesse a resgatar a tua vida 
com o meu corpo.   

17-07-2004
(Incursões no passado pelo côté lunar)

Posted at 10:30 pm by sete-sois
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Friday, June 06, 2008
obscura luminosidade


As estrelas e os seus caminhos de luz
atravessam galáxias desconhecendo
outro conceito que o de brevidade
e passagem, sempre à frente até do fim
que as persiga, rasgando a
escuridão macia das noites eternas.

Nascem em tempos remotos
e são o mesmo tempo que foi
há muito, dizendo longinquamente
que o destino existe em cada
gesto decidido à sua luz.


Posted at 12:47 am by sete-sois
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