Sunday, April 06, 2008
às vezes acordo durante
a noite ou durante o dia
com um poema ao ouvido
e quando tento gravá-lo
desfaz-se
Outras vezes
o poema insiste comigo
até que o diga
de uma forma ou de outra
Posted at 01:36 pm by sete-sois
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Que temes, senhora?
Uma jaula.
Posted at 01:31 pm by sete-sois
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Fazíamos dela uma nave especial
principalmente quando chegávamos
ao algarve abandonado no ano anterior
(pelos nossos pais) e o entusiasmo
era enorme e a cambalhota
era espaçosa dava para os três em viagem
pelo universo (que era, como agora, tudo
para além) curvas à direita e à esquerda
oblongas e em frente por entre as estrelas
azuis janelas dentro de casa.
depois os dias passavam zangávamo-nos
uns com os outros por causa disto ou daquilo
mas partilhávamos sempre os gelados
e fazíamos grupos uníamo-nos mais a uns
desuníamo-nos dos outros esta parte
não sei se existiu posso estar a inventar
uma projecção fragmentária
das coisas hoje.
Posted at 01:29 pm by sete-sois
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Monday, November 12, 2007
Pêndulo, Paulo Tavares
Posted at 11:10 am by sete-sois
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Sunday, November 11, 2007
aquém dos olhos [Fev 2004]
Amei tanto o sol
que ceguei.
Não vás mãe
para que alguém me leia
histórias.
Posted at 06:36 pm by sete-sois
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Os gatos não são suficientemente
rápidos para apanhar moscas
e saltam, nem voam como elas.
Mas as moscas temem os gatos.
Posted at 06:23 pm by sete-sois
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não gosto de hospitais pequenos e acolhedores
– que nos confinem em sons abafados –
prefiro hospitais grandes e despersonalizados
corredores largos escadas e muitos andares
onde os fantasmas possam andar em liberdade
Posted at 06:20 pm by sete-sois
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apanhamos na praia pedras antiquíssimas
e é sempre uma sensação nova
Junho, Arm. de Pêra
Posted at 06:14 pm by sete-sois
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Fazer o quê, quando tudo é consequência
de mim?
Espero, e perco.
Avanço, e erro.
Falo, afasto.
Escrevo, e sinto
um calor grande demais para ficar.
Porém,
O Sol é grande
e cabe na pupila.
Olho, e cego...
Fazer o quê,
se o céu arde mesmo
em pingos de chuva?
Posted at 06:12 pm by sete-sois
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tsunami num pequeno lago de ar [Fev 2004]
Nasci – big bang –
de um golpe de espada
celeste e humano
expandi-me
e fui expelido – parto astral –
como fumo para o ar
disperso em espirais
crescentes
de água
até uma margem
desconhecida
onde sobre a terra
terei raízes
Posted at 06:05 pm by sete-sois
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